terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Profissional do Futuro‏...


Na era agrícola a fonte do poder era a posse da terra. A mão de obra era escrava, dependente e castrada dos seus direitos de questionar, ir e vir. Finalmente alcançamos a sociedade industrial, que tem como fonte de poder as indústrias; marcada fortemente pelo modelo gerencial centralizador e burocrata. Surgiram as divisões e especializações do trabalho. Este era representado por rotinas físicas extremamente operacionais e repetitivas. A mão de obra era eminentemente operacional.
Na nova economia a informação e o conhecimento são as fontes do poder. O modelo gerencial é participativo, auto-gerenciado. O trabalho é de análises, planejamento e criatividade. Ser um profissional do futuro, nesse cenário, é o grande desafio e a grande oportunidade do mundo digital.
Mas o que é ser um profissional do futuro? Apesar das inúmeras receitas do mercado, a verdade é que não há fórmulas que garantam o sucesso. Há caminhos que podem ser seguidos. No entanto, o que encontrar ao fim de cada trilha, vai depender da essência de cada um: vontade, perseverança, lealdade, ética, espiritualidade, conhecimento, praticidade, criatividade e bom senso são um bom começo. Mas, isso não é tudo.
A conexão ao mundo digital é a expressão chave para designar o profissional do futuro. Lidar bem com as ferramentas de comunicação através da “rede”, saber usá-las no benefício da empresa e de seu auto-desenvolvimento, significa estar à frente da concorrência. As habilidades técnicas são básicas e não diferenciam profissionais que estão em um mesmo patamar. Não preciso citá-las, não é mesmo? Quem não as tem está em desvantagem . É a essência, a grande diferença.
O profissional do futuro é um visionário. E a grande diferença entre profissionais comuns e os visionários está na capacidade destes de enxergarem que podem seguir além do horizonte e, a partir dessa visão, eles constroem o seu caminho passo a passo, administrando as interferências, mudando a rota, mudando de empresa, mudando de sonhos, mas sem nunca perder a essência do que um dia vislumbraram e acreditaram.
Os visionários não desistem de seus ideais. Eles têm o bom senso para redirecioná-los e para perceber aquilo que podem ou não mudar. Não dispersam sua energias em lutas por causas irreais. Acreditam em uma ideais tanto quanto acreditam em si mesmos. Não esperam que os motivem; encontram um sentido especial em tudo que fazem. Eles enxergam oportunidades em situações adversas; têm sorte e uma personalidade singular: nunca abaixam a cabeça, não nasceram para serem comandados; assumem seus erros e com isso aprendem mais rápido que os demais.
O profissional do futuro agrega valores tangíveis, intangíveis e constrói uma organização que aprende continuamente. Possui a sabedoria necessária para comandar sem dominar, para ser respeitado sem, necessariamente, precisar ser carismático. Ele incomoda porque estabelece padrões elevados de trabalho. Ele lidera porque consegue transmitir conhecimento, emoção e valor a cada desafio.
Ousadia é a marca do futuro desses profissionais, que devem ter reflexos rápidos às situações, agindo como se a empresa fosse sua. Eles não têm medo do desconhecido, do novo. Pelo contrário, isso os instiga a ir além dos seus limites. A sua crença em si mesmo torna os seus fardos mais leves. E por pensar e agir assim, o profissional do futuro vale ouro no mercado onde atua.
O profissional do futuro tem ambição, ética e uma boa dose de espiritualidade. É a espiritualidade que lhe traz a paz e a antevisão necessária para agir diante daquilo que não é perceptível a todos. Através dela ele aprende a humanizar-se. Isso traz-lhe a preocupação com a causa humanitária onde convergem interesses do papel da empresa social e ambiental, tornando a organização um instrumento maior, dentro do seu objetivo máximo de lucratividade e remuneração aos sócios.
O próximo século não será dominado pelos céticos. A crença e as obras pela humanidade são marcas fundamentais para compor o profissional do futuro. Ele valoriza e preserva a natureza, preocupa-se com o seu ambiente familiar e social, além do profissional. Ele trabalha muito, mas não deixa de viver qualitativamente. E, para ter qualidade de vida, é condição “sine qua non” melhorar o ambiente em que vive.
Sem dúvida, para ser um profissional do futuro é preciso ser completo: espírito, família, social, técnico e comportamental. Se não tiver um dos aspectos, faltar-lhe-á aquilo que o homem independente do seu “status quo” persegue desde o início da humanidade: a sua felicidade.
A essência do profissional do futuro não está na perfeição e sim na busca insaciável por ela. Quebre a tensão, diminua o seu ritmo, preste atenção nas sutilezas. Se sempre agir freneticamente, será mais um na multidão que percebe e realiza apenas o óbvio. Cabe a você ir atrás das verdades que não lhe são ditas e dos ideais que você acredita. O ser humano não tem limites e decididamente, ele é o retrato daquilo que pensa e acredita ser.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009


A hora certa de desistir!!

Às vezes, puxar o plugue da tomada é a melhor coisa que você pode fazer. Seja num casamento, seja num emprego. Seja num empreendimento, seja na tentativa de conquistar alguma coisa ou alguém - uma cidade nova, um novo ambiente de trabalho, um novo chefe. Há momentos para investir, para agüentar o tranco e ir adiante. Há grande valor nisso, na bravura, na persistência. E há momentos para desinvestir, para olhar a situação de cima e com serenidade e inteligência decidir se vale a pena continuar ou não. Também há muito valor nisso. Na capacidade de sair das aventuras na hora de certa, antes que elas terminem mal.

A desistência nem sempre significa derrota. Várias vezes ela pode representar grande vitória pessoal. É preciso ter coragem para colocar o ponto final numa frase que você considera que já está longa demais ou que está ficando crescentemente mal escrita, a cada nova palavra que vai sendo colocada ali. Isto pede uma coragem tão grande, muitas vezes até maior, do que aquela necessária para começar a frase, para começar a deitar palavras numa tela em branco. Portanto, nem sempre passar a régua no que está rolando é sinônimo de covardia. Cair fora pode ser um ato de respeito a você mesmo. E, portanto, de sabedoria.

A sensação de encerrar uma experiência que não está mais lhe satisfazendo é bastante libertadora - difícil traduzir "liberating", do inglês. É uma lufada de frescor, de energia boa. Uma sensação de liberdade e de poder, de agarrar de novo o volante da sua vida e a prerrogativa de decidir para onde seguir. Ainda apelando um pouco para o inglês, há marcada diferença entre o "quitter" e o "loser", dois arquétipos da cultura de competição americana. Enquanto, por lá, o "winner", o cara popular, o self-made man, pode tudo, conquistou o pedaço e olha tudo de cima da sua torre (de onde pode também cair a qualquer momento e se esborrachar legal), o "quitter" é o cara que recusa seguir na toada, que breca o carro, entrega as chaves e diz: "não quero mais".

Os americanos têm ainda o "loser", figura que ninguém quer ser, motivo de piada e escárnio. É o cara que se dá mal, que termina em último (ou mesmo em segundo...). É o cara que tenta e não consegue, que perde ao invés de obter, que em vez de crescer termina reduzido. Uma tremenda bobabem e uma rematada injustiça, a meu ver. Cair é serventia desta casa chamada vida. E qualquer um que cai pode se levantar no minuto seguinte. (Exceto se acreditar nesse jeito americano de ver as coisas e vestir o chapéu do cara que nasceu para não dar certo. Esse cara não existe. Todo mundo pode e vai dar certo em alguma coisa. Se não deu ainda é porque não achou a coisa certa para fazer.)

Mesmo olhando com a lente dos gringos, e admitindo a visão adolescente que eles têm dessa coisa, o "loser" deveria ser incensado. Afinal, ele precisa existir para que o "winner" aconteça. O palhaço deveria ser o cara mais bem pago porque o circo não existiria sem ele.

Alguém já lhe deixou falando sozinho?

Tem uma mania que está se consolidando entre nós: deixar de responder e-mails. Você envia uma mensagem para alguém e esse alguém simplesmente não se dá o trabalho de lhe responder. Não diz nem que sim nem que não. E você não sabe se o sujeito recebeu, se leu e deletou, se deletou sem ler, se leu e entendeu o que estava escrito, se achou legal ou se detestou. Isto é de uma deselegância sem fim. Equivale a deixar o interlocutor falando sozinho. Não responder a um e-mail enviado individualmente a você, assinado por alguém, é a mesma coisa que uma pessoa lhe dizer "Bom dia!", ou lhe fazer uma pergunta, e você ignorá-la solenemente, com se ela não existisse ou não importasse.

Não há desculpas para isso. Quantidade de e-mails? Todos temos que lidar com isso. E não toma mais de 20 segundos escrever duas ou três linhas dando algum tipo de resposta para o interlocutor. Mesmo que seja um "não", um "falamos daqui a 6 meses", um "é favor não me escrever nunca mais". Preferência pelo uso do MSN ou do Skype, ao invés do e-mail? Bem, avise o seu interlocutor que você considera o correio eletrônico uma tecnologia ultrapassada. Caixas lotadas de spam? Delete os spans. Mas trate corretamente gente de carne e osso como você, que tem dúvidas, interesses e expectativas - inclusive de conseguir entabular um diálogo com outro ser humano, por mais curto que seja. A tecnologia existe para tornar os contatos entre as pessoas mais eficientes e mais aprazíveis. Não pode justificar a grossura e a insensibilidade.


Faça aquilo que você gosta


É o seguinte: só é possível ser feliz fazendo aquilo que você gosta. Não tome isso como um clichê ao qual recorri nesta manhã de garoa fria e fina aqui em São Paulo. Tome isto como uma constatação de vida que eu, quero dividir com você da maneira mais ingênua possível.
Ninguém segura por muito tempo a barra da infelicidade diária fazendo uma atividade que não lhe dá prazer. Você pode fazer algo que não gosta por algum tempo, visando o atingimento de uma meta específica. Ou seja: você pode trabalhar atrás do balcão atendendo o público diretamente no negócio que está tentando tirar do chão para você e sua família. Mas se você detestar esta tarefa, terá de passá-la para alguém em algum momento. Você pode aceitar um emprego que não tem nada a ver com você para colocar comida em cima da mesa de casa até encontrar outro trabalho. Mas é bom que o encontre rápido. Ou você, em pouco tempo, estará perdendo muito mais do que ganhando. E não só o seu tempo mas sua própria alegria de viver. Você pode até dar uma palestra ou outra tendo horror a falar em público - mas não conseguirá ser um bom professor. Nem, muito menos, um professor feliz. Você pode até abraçar a função de vendas por um período, a pedido do chefe ou como estratégia de crescimento dentro da empresa, mas se a sua vocação for técnica, você não vai durar por muito tempo.
Ou melhor, você até pode durar. Tem gente que dura uma eternidade fazendo o que não gosta. Tem gente que se flagela a carreira toda, se angustia a vida inteira, acordando infeliz todo dia, amargurado por fazer o que faz, por ser quem é. Essas pessoas fazem isso em nome do dinheiro. Ou da permanência num emprego. Ou da insegurança de passar a bola indesejada, mas necessária, adiante. E vão levando. Destróem seu humor, sua auto-estima, sua sensibilidade, sua capacidade de amar, de serem bons pais, bons maridos, boas mulheres.
Eis o risco terrível desta toada de se atirar com desmesura a uma faina que corrói, que desagrada, que nos rouba o paladar e aquela estranha e fabulosa energia chamada felicidade.
Eu, em verdade, vos digo: não vale a pena.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

QUEM VC PENSA QUE É???


" Tem pessoas que são realmente sedutoras, que se dedicam a conquistar os outros, a dobrar resistências alheias. Elas quase comemoram quando topam à sua frente com alguém que não lhes compra logo de cara. Aí é que se motivam a transformar aquele "não" carrancudo em um "sim" docemente sussurrado. Eu não tenho talento nem paciência para isso. Sou mais da linha "quer, quer; não quer, tem quem quer". Acredito mais no jogo de primeira, na tabelinha rápida. No que se refere a relacionamentos, sempre entendo a finta como um engodo e as ações de conquista como atos ludibriantes. Maluf, ele próprio, ao que dizem, um sedutor, disse uma vez que FHC era um grande sedutor. "Se fosse uma mulher, iria para cama com o senhor". Então o sedutor é aquele que você gosta de ficar ouvindo, que faz você se sentir à vontade, baixar a guarda, esboçar um sorriso bovino nos lábios, tirar a roupa sem perceber. Em respeito ao interlocutor, sempre me dediquei a abrir a verdade, e tão-somente a verdade, a ele, e deixá-lo decidir sozinho como se posicionaria a meu respeito. Então foi com alegria que recebi a notícia de que, afinal, não sou tamém um anti-sedutor. Que não passo às pessoas a idéia de que dou de ombros para elas ou de que estou me lixando para o que pensam.
Que bom. Há quem seja popular, quem saiba fazer rir, quem divirta e ilumine o ambiente a sua volta. Há pessoas agradáveis, simpáticas, sorridentes, ensolaradas. Eu não sou assim. Ao menos, nunca me vi assim. Ao contrário: sempre acho que meu tom de voz, meu vocabulário, minha linguagem corporal, sei lá, costumam tornar tudo à volta um pouco mais sério, mais solene, às vezes chato, às vezes desconfortável ao interlocutor. Há momentos em que minha voz não tem a menor autoridade e sequer sou mencionado em ata. Quando a minha voz alcança autoridade, é como se arranhasse as paredes do recinto e trouxesse toda a prosa ao nível concreto do chão e funcionasse, enifm, como um estraga-prazeres, como um crítico contumaz, um censor, como um antídoto para os sorrisos presentes. Fiquei feliz, portanto, ao saber que nem sempre é assim. No fundo eu sei que nem sempre é assim. Mas no fundo é assim ainda que vejo na maioria das vezes.

Ah, sim. A pessoa que me deu esses feedbacks iluminadores é uma pessoa muito especial para mim, ok?