quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A hora certa de desistir!!

Às vezes, puxar o plugue da tomada é a melhor coisa que você pode fazer. Seja num casamento, seja num emprego. Seja num empreendimento, seja na tentativa de conquistar alguma coisa ou alguém - uma cidade nova, um novo ambiente de trabalho, um novo chefe. Há momentos para investir, para agüentar o tranco e ir adiante. Há grande valor nisso, na bravura, na persistência. E há momentos para desinvestir, para olhar a situação de cima e com serenidade e inteligência decidir se vale a pena continuar ou não. Também há muito valor nisso. Na capacidade de sair das aventuras na hora de certa, antes que elas terminem mal.

A desistência nem sempre significa derrota. Várias vezes ela pode representar grande vitória pessoal. É preciso ter coragem para colocar o ponto final numa frase que você considera que já está longa demais ou que está ficando crescentemente mal escrita, a cada nova palavra que vai sendo colocada ali. Isto pede uma coragem tão grande, muitas vezes até maior, do que aquela necessária para começar a frase, para começar a deitar palavras numa tela em branco. Portanto, nem sempre passar a régua no que está rolando é sinônimo de covardia. Cair fora pode ser um ato de respeito a você mesmo. E, portanto, de sabedoria.

A sensação de encerrar uma experiência que não está mais lhe satisfazendo é bastante libertadora - difícil traduzir "liberating", do inglês. É uma lufada de frescor, de energia boa. Uma sensação de liberdade e de poder, de agarrar de novo o volante da sua vida e a prerrogativa de decidir para onde seguir. Ainda apelando um pouco para o inglês, há marcada diferença entre o "quitter" e o "loser", dois arquétipos da cultura de competição americana. Enquanto, por lá, o "winner", o cara popular, o self-made man, pode tudo, conquistou o pedaço e olha tudo de cima da sua torre (de onde pode também cair a qualquer momento e se esborrachar legal), o "quitter" é o cara que recusa seguir na toada, que breca o carro, entrega as chaves e diz: "não quero mais".

Os americanos têm ainda o "loser", figura que ninguém quer ser, motivo de piada e escárnio. É o cara que se dá mal, que termina em último (ou mesmo em segundo...). É o cara que tenta e não consegue, que perde ao invés de obter, que em vez de crescer termina reduzido. Uma tremenda bobabem e uma rematada injustiça, a meu ver. Cair é serventia desta casa chamada vida. E qualquer um que cai pode se levantar no minuto seguinte. (Exceto se acreditar nesse jeito americano de ver as coisas e vestir o chapéu do cara que nasceu para não dar certo. Esse cara não existe. Todo mundo pode e vai dar certo em alguma coisa. Se não deu ainda é porque não achou a coisa certa para fazer.)

Mesmo olhando com a lente dos gringos, e admitindo a visão adolescente que eles têm dessa coisa, o "loser" deveria ser incensado. Afinal, ele precisa existir para que o "winner" aconteça. O palhaço deveria ser o cara mais bem pago porque o circo não existiria sem ele.

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